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Diferentes tipos de tecido e suas construções

 em Comunicados, Corte & Costura, Dicas, Sem categoria, Workshops
Estamos de volta com nossa série de posts sobre tecidos! Já falamos sobre as partes dos tecido. Já vimos sobre as fibras têxteis: naturais, sintéticas e artificiais. E hoje vamos falar das construções dos tecidos.
A forma que ele foi construído muda o comportamento dele durante o uso e durante a costura. Por isso conhecer esses processos é importante para escolher o tecido certo para nossas costuras. Tanto para que a roupa fique ainda mais perfeita e confortável, quanto para dar menos trabalho durante a costura!
Esse é só o começo de um processo de várias etapas. As primeiras são as de obtenção das fibras, a transformação delas em fio (fiação). Depois que temos os fios começa o processo de tecelagem, o entrelaçamento dos fios que dá a origem ao tecido. Sendo assim nesse post vamos falar sobre:
  • Tecelagens de ontem e hoje
  • Estrutura tela ou tafetá
  • Estrutura sarja
  • Estrutura cetim
  • Estrutura jacquard
  • Dica especial

TECELAGENS DE ONTEM E HOJE

A arte de tecer, entrelaçar os fios para formar tecidos é bem antiga. Existem registros que datam dos povos mesopotâmicos. Começou com os humanos deixando de ser nômades para virarem produtores. Com isso surgiu a necessidade de vasos e cestos. Assim as primeiras técnicas de tecelagem surgirem na fabricação de cestos. Ainda nessa época (4000 a.C) o homem passou a criar ovelhas e surge a tecelagem de lãs. Próximo dali vemos o início de uma tecelagem mais delicada, com o linho dos egípcios.
 
Estruturas para esticar os fios e trançá-los foram se desenvolvendo. Somente em 1789 surge o primeiro tear mecânico, a princípio movido à vapor. Somente depois da revolução industrial os teares ganharam motores. Isso reduziu e muito o tempo de produção de tecidos, assim como aumentou a produção dos mesmos. Em consequência os tecelões manuais foram perdendo seu espaço de trabalho.
Hoje as máquinas de tecer chegam a produzir mais de 100 metros por dia das mais diversas larguras e tipos de tecidos. Os mecanismos das máquinas de hoje continuam os mesmos. E sistemas e programas informatizados permitem muitas inovações de design. Hoje, por exemplo, podemos encontrar máquinas de tricô para tudo, desde xales de renda até casacos pesados.
 
Ainda existem muitas culturas que se utilizam dos teares manuais como forma de tradição e cultura. Por exemplo temos povos africanos com seus grafismos únicos; bolivianos e peruanos. Até mesmo escoceses trabalham teares manuais para desenvolver os tecidos tradicionais dos kilts. Assim a cultura mantém a arte de tecer. Ao mesmo tempo que a tecnologia traz avanços ela leva a perda de conhecimento. Pois habilidades e conhecimentos desses tecelões artesanais se perderam, não podem ser mais recuperadas.

ESTRUTURA TELA OU TAFETÁ

Vamos falar de estruturas de tecidos. A primeira, mais usada e mais comum, é a estrutura tela ou tafetá. O tecido leva o nome da estrutura. Ela consiste no fio de trama por cima de um e por baixo de um fio de urdume por todo o tecido.
 
A quantidade de fios conferem mais estrutura e resistência ao tecido. Quanto mais fios melhor a qualidade do tecido. Grande parte dos tecidos são feitos com essa estrutura, como por exemplo:
  • tafetá
  • musselina
  • voal
  • percal
  • tricoline
  • popeline
  • cambraia
  • e muitos outros.

ESTRUTURA SARJA


Outra estrutura muito usada é a sarja. Ela também é considerada uma estrutura básica. Consiste em um fio de trama por baixo de um urdume e por cima de dois. Na linha seguinte essa contagem é intercalada, formando um desenho de uma diagonal no tecido. A sarja pode ser classificada em Z ou S, dependo do sentido que essa diagonal formou. Esse tipo de construção confere estrutura e resistência ao tecido. Por isso é muito usada nas sarjas, brim e jeans, que são tecidos mais resistentes e encorpados, independente do material que foi feito.

ESTRUTURA CETIM

Essa estrutura consiste em um fio de trama por cima de um de urdume e por baixo de quatro a oito fios. Quanto mais fios ficarem “soltos” maior será a leveza e menor a resistência do tecido. Esse tipo de construção confere um toque macio e um brilho no lado direito do tecido. Ou seja o brilho do cetim é resultado da sua construção e não do material usado. Existem cetim de poliéster, algodão, seda, bambu e outros materiais. Assim como também é possível encontrar diversas gramaturas de cetim, de levíssimo a outros mais pesados. Temos vários tipos de tecidos com essa construção: o famoso cetim, toque de seda, alguns crepes, etc.

ESTRUTURA JACQUARD

Estrutura jacquard é uma estrutura diferente das outras. Os fios de urdume são de diferentes cores conforme o desenho do tecido, assim como a trama. Não consiste em uma regra de movimentos para cima e para baixo. Diferentes variações de movimentos dos fios formam o desenho da estampa. Ou seja, o desenho do tecido é formado pelo modo de entrelaçamento dos fios.
 
A máquina de tear do jacquard é diferente da máquina de tear comum, resultando em um custo maior ao tecido. Os tecidos jacquard são mais encorpados e estruturados, normalmente são muito usados na decoração. Mas existem variações mais macias usadas também no vestuário.
 

RESUMINDO…

Como antes já vimos sobre as fibras, agora vem a soma de tudo. As estruturas e as fibras trabalham juntas para criar todos os tecidos que conhecemos. Sendo assim, podemos ter por exemplo, sarja de algodão, de poliéster, de linho. Cetim de seda, poliéster, algodão, bambu. E o que mais imaginar.
As características das fibras trabalham juntas com as características das construções dos tecidos. E é importante entender essa diferença. Isso permite que possamos exigir cada vez mais dos fabricantes e vendedores de tecidos. E compreender melhor qual a opção de tecido mais indicada para nossos projetos. Mas isso vamos ver melhor no próximo post!

DICA ESPECIAL

Já vimos que os tecidos são formados pelo entrelaçamento dos fios de urdume com os de trama. Vimos também as estruturas básicas usadas nos tecidos. Essas estruturas podem sofrer alterações, como nos tipos de fio, na quantidade, e muitas outras. Essas variações permitem que tenhamos uma gama gigantesca de tipos de tecidos a serem feitos.
 
No mercado existe uma infinidade de tecidos com características semelhantes. Mas que nem sempre trazem o mesmo nome ou a mesma qualidade. Por isso é muito importante que você pesquise tecidos, em lojas, revistas, peças prontas. E tenha sempre que possível amostras à mão para tirar dúvidas sobre os tecidos e suas características.
 
Uma coisa legal para se começar a fazer é o seu próprio mostruário de tecidos. Um guia, uma pasta contendo amostras dos tecidos junto com suas informações. Você pode pegar, no final desse post, um modelo de ficha para começar. Essas ficas podem ser feitas em papel cartão ou cartolina, para durarem mais.
 
Além disso você pode guarda-las em ordem alfabética, ou pela estrutura, ou características. Da maneira que achar melhor e que facilite sua busca e consulta no futuro.
 
Gostou da dica? De novo, clique no link no final do post para baixar seu modelo de ficha. Comece aos poucos seu mostruário e faça sempre que possível. Se torna uma atividade muito divertida e informativa.
 
Não perca nosso último post sobre tecidos! Nele vamos falar em como escolher o tecido de acordo com o modelo da peça. Analisar e entender caimentos e comportamento de tecidos. E por fim avaliar o toque de cada tecido com seu uso.
 
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Ficha de tecidos (111 downloads)

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Mostrando 2 comentários
  • Angelo Donizetti Navarro
    Responder

    Excelente explicação.
    A melhor que pesquisei até agora.
    Obrigado

    • Inara Ferreira
      Responder

      Muito Obrigada Angelo! espero que goste de nossos outros posts sobre tecidos também para complementar nossos conhecimentos sobre tecidos!

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